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terça-feira, 16 de agosto de 2011

O monólogo das Mãos.

                                                             Para que servem as mãos?



As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder,

ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar,

confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar,

acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir,


reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever......


As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau,

salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;

Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não

matou Porcena;


foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;


com as mãos David agitou a funda que matou Golias;

as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos

gladiadores vencidos na arena;

Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;

os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos

vermelhas como signo de morte!

Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os

outros Judas não encontram.

A mão serve para o herói empunhar a espada e

o carrasco, a corda; o operário construir e o burguês destruir;

o bom amparar e o justo punir; o amante acariciar e o ladrão roubar;

o honesto trabalhar e o viciado jogar.

Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor

ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!

Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!

As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios

e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura,

a arma que fere e o bisturi que salva.

Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas

protegemos a vista para ver melhor.

Os olhos dos cegos são as mãos.

As mãos na agulheta do submarino levam o homem

para o fundo como os peixes; no volante da aeronave

atiram-nos para as alturas como os pássaros.

O autor do "Homo Rebus" lembra que a mão foi o primeiro

prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;

a primeira almofada para repousar a cabeça,

a primeira arma e a primeira linguagem.

Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.

A mão aberta,acariciando, mostra a bondade; fechada

e levantada mostra a força e o poder; empunha a espada

a pena e a cruz!

Modela os mármores e os bronzes; da cor às telas

e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia

nas formas eternas da beleza.

Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza;

doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta

os aflitos e protege os fracos.

O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão

de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento

de felicidade.


 
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;

Jesus abençoava com a s mãos;

as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as

mãos as cabeças inocentes.

Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica,

ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.

Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.


E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.

Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.

E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.

E as mãos dos amigos nos conduzem...

E as mãos dos coveiros nos enterram!



Um comentário:

  1. QUANDO CHEGUEI A ESSE MUNDO,O PRIMEIRO TOQUE PESSOAL QUE TIVE FOI A MAO DA MIHA VOVÓ QUE FEZ O PARTO DA MINHA MAE.SEI QUE NAO É DIFERRENTE COM NENHUM OUTRO RECEM NASCIDO RSRS
    AMEI ESSA POSTAGEM ALESSANDRA

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